segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O CRAQUE BORRACHUDO E A BRONCA DA MAMÃE

"No dia seguinte, ao chegarem à emissora para apresentarem a resenha esportiva, o jovem Borrachudo, destaque no jogo, esperava os radialistas para que consertassem um mal-entendido que lhe causou dissabores em casa."

O repórter Ramiro Aquino e o narrador Geraldo Santos

O futebol é pródigo em tudo! E por isso mesmo – acredito eu – a razão de tanto sucesso. No futebol, as coisas erradas acabam dando certo e nem mesmo o politicamente correto consegue sobreviver. Ainda bem! É o futebol que faz muitos jogadores famosos – alguns conceituados –, embora efêmeros, não importa, embora também seja perverso com outros tantos que vão do céu ao inferno em bem pouco tempo.   

Se todo o jogador que se preze pudesse jogar como atacante, marcando gols, por certo estaria em alta constante com a torcida, endeusado pelos feitos, um drible desconcertante ali, um gol de placa para ganhar o jogo, quem sabe o campeonato. É a glória. Já outras posições, principalmente as defensivas, já não conseguem sempre conviver com esse clímax, que digam os goleiros.       

Pra não ter que encompridar esse “nariz de cera”, vamos ao que interessa: os apelidos dos jogadores. Sejam eles oriundo da infância – de casa ou da rua – ou os recebidos nos campos de futebol. Não causa espanto que uma grande parte dos apelidos tenha sido dados pelos cronistas esportivos – notadamente os repórteres de campo e narradores de partidas inconformados com a pronúncia ou bizarria.

No nosso futebol paroquiano – seja Itabuna, Ilhéus ou Salvador – os jogadores conhecidos por apelidos não são poucos e muitos fizeram história sem se importar de como passaram a ser conhecidos. O importante era jogar bola, e bem, seja em que posição atuasse. Há também casos em que os nossos cronistas esportivos simplesmente não gostaram do apelido e passaram a chamá-lo pelo nome, o que nem sempre deu certo.

Alguns apelidos são inesquecíveis e se encaixam perfeitamente nas pessoas – no caso os jogadores em questão – e o exemplo mais límpido é o de Pelé (Edson Arantes do Nascimento soa estranho); Garrincha, Mané Garrincha, tanto faz; Didi, o Folha Seca, o Príncipe Etíope, o Senhor Futebol, todos conhecem, mas se perguntarmos por Waldir Pereira…dará um trabalho danado para sabermos de quem se trata.

O Furacão da Copa também atende por Jair Ventura Filho, ou Jairzinho, sem qualquer problema, já o também botafoguense Heleno de Freitas era chamado de Príncipe Maldito, o que, convenhamos, não pega bem. Artur Antunes Coimbra ainda é chamado de Zico, um diminutivo dado pela família, mas os narradores da época gostavam de chamá-lo pela alcunha de Galinho de Quintino, sem qualquer problema.

Agora imaginem a mãe de um jogador de futebol ter que aturar a crônica esportiva chamar o seu mimoso filhote de Leandro Banana, Flávio Caça-Rato, Pinga (o herói do Hexa da Seleção de Itabuna). Cláudio Caçapa? Melhor a morte! Pior, ainda, é Cascata, Ruy Cabeção (ex-Botafogo), Yago Pikachu, Boquita, Rafael Ratão, embora pouco importassem que nomes os chamassem e sim o que futebol que jogavam.

Em certos casos os nomes de batismo e registro civil não pegam bem para um jogador de futebol. Imagine o narrador ter falar com rapidez que Parmênides passou a pela para Ariclenes, que driblou Pelópidas Guimarães. Esses nomes não deram certo nem no cinema e televisão, tanto que Ariclenes se transformou em Lima Duarte e Pelópidas passou a ser conhecido e chamado por Paulo Gracindo.

E assim é por esse mundo afora. Não foi diferente com um lateral-esquerdo do meu Botafogo do bairro Conceição, conhecido por Borrachudo. Para não perder a embocadura, nesta época o Botafogo de Rodrigo tinha o jovem Iaiá como um promissor goleiro e mecânico da empresa de ônibus Sulba. Ao ser convocado para Seleção de Itabuna não quis saber do apelido e só aceitava ser chamado por Aderlando, conforme lembra outro não menos famoso goleiro Raul Vilas Boas, também conhecido no futebol por Marcial (goleiro do Flamengo) pelas pontes que cometia para pegar as bolas altas.

Como sempre, a mídia acredita que sempre sabe das coisas e o grande narrador da época, Geraldo Santos (hoje Borges), e o repórter e comentarista Ramiro Aquino resolveram dar uma forcinha para Borrachudo. Apesar de experiente, a dupla nunca tinha visto um apelido desse, e logo no jovem reserva do Botafogo que assumiria a titularidade o apelido poderia ser um fator negativo.

Tudo combinado na emissora e no dia seguinte começa o jogo no velho campo da desportiva entre o Botafogo e Fluminense. E o nosso lateral-esquerdo fez valer sua ascensão e foi um dos destaques do jogo. Só que em vez de Borrachudo, os radialistas Geraldo Santos e Ramiro Aquino se esmeraram em chamar o jovem pelo seu nome de batismo: José Carlos, como tinham prometido.

No dia seguinte, ao chegarem à emissora para apresentarem a resenha esportiva, o jovem Borrachudo, destaque no jogo, esperava os radialistas para que consertassem um mal-entendido que lhe causou dissabores em casa. É que a senhora mãe de Borrachudo – agora José Carlos – passou-lhe o maior sabão por ele ter dito que jogaria naquela tarde e seu nome sequer apareceu no rádio. Ela não tinha ouvido uma vez sequer na transmissão.

Desse dia em diante a dupla Geraldo Santos e Ramiro Aquino desistiu do intento de mudar os nomes dos jogadores, se esmerando para tornar as transmissões mais humanizadas. José Carlos voltou a ser chamado de Borrachudo e o seu colega goleiro Aderlando, que não teve grande êxito na seleção itabunense, voltou a ser chamado pela crônica esportiva de Iaiá. Sem traumas!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

AMADORISMO ITABUNA

Time do Itão de 2008 

EM PÉ: Da Hora, Edson, Elvores, Montanha,                                                                      AGACHADOS: Albino, Adriano, Benedito e Edinildo

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

FOTO HISTORICA DO BAHIA COM A PRESENÇA DE LÉO BRIGLIA

EM PÉ: OSÓRIO, BACAMARTE, JAIR, BOMBEIRO, CARECA, FLORISVALDO, BETO, FLÁVIO, NADINHO, HENRIQUE, VICENTE e LUIS NEGREIROS.

AGACHADOS: LEONE, MARITO, MÁRIO, ALENCAR, LÉO BRIGLIA e BIRIBA 

ACERVO DO ÁLVARO

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

NOTA DE PESAR

RALECEU ONTEM O EX-CRAQUE DA SELEÇÃO ITABUNENSE CARLOS ALBERTO, MEIO CAMPISTA QUE TAMBÉM ATUOU PELO FLAMENGO AMADOR E PELO EU ESPORTE CLUBE VITÓRIA DE SALVADOR.

NA FOTO, A FILHA MÔNICA FALCÃO JUNTAMENTE COM CARLOS ALBERTO.


sábado, 25 de julho de 2020

Eles tiveram um dia de Glória na Fonte Nova!


A saudosa Fonte Nova além de ter sido o palco de grandes craques do futebol brasileiro e internacional, foi também o cenário para alguns jogadores de pouca qualidade técnica , e que lá tiveram o seu dia de glória.

Sei que desde a sua fundação o Estádio Otávio Mangabeira viu muito destes atletas esforçados e que nem se eram notados pela mídia e pelos torcedores, tive a lembrança do campeonato baiano de 1983, onde houve já na segunda rodada uma grata surpresa, na derrota do Bahia para o Fluminense de Feira por 1 a 0 o atacante Magno fez a festa na Fonte Nova, com uma atuação vibrante de um jovem cheio de força de vontade marcar o gol da vitória do Touro do Sertão e que poder ser o surgimento de uma nova promessa do futebol baiano, mero engano, Magno sumiu depois deste jogo, o gol marcado na Fonte Nova neste dia, foi seu único tento no campeonato. Outro que neste campeonato marcou seu nome na velha Fonte foi o centroavante Laranjeira do Itabuna Esporte Clube, alto e esquio e brigador dentro da área e trombador  mais sem técnica, fez seu nome nas semi finais do segundo turno, quando foi o responsável pelos gols que eliminaram o Bahia quando o time grapíuna bateu em Itabuna por 1 a 0 e na volta na Fonte Nova pelo mesmo escore com os dois gols dele, depois disto Laranjeira que tinha feio apenas dois gols na competição, ganhou fama nos gols do Fantástico e ficou só nisto, sumiu ninguém mais viu.

IEC 1983
Itabuna Esporte Clube 1983. Jogo pela campeonato Baiano contra o Vitória em Itabuna. Placar 1 x 1. Em pé: Antonio Carlos (Preparador Físico), Dermeval Costa (médico), Celso, William, Paulo César, Tarantine, Veludo, Da Costa, Miltinho Simões (técnico), Adonias Braga (Supervisor), Hélio Lima (diretor). Agachados: Napaiêta (roupeiro), Tonhão, Laranjeiras, Nei, Zé Mário Mendonça e Mario Sérgio.
Quem também chegou a ter uma reaparição no cenário futebolístico baiano foi o avante Pita, revelado pela Redenção em 1979 e que teve um bom destaque no Vitória até o meado de 1980 e que foi negociado com o futebol árabe, Pita que foi herói de uma virada rubro-negra em um BA – Vi no campeonato brasileiro de 79 quando o Vitória ainda sentia o peso da derrota para o Bahia no baianão daquele ano, voltava ao futebol baiano defendendo o Botafogo local, foram 5 gols a maioria no primeiro turno quando ajudou o seu time a decidir o turno com o Bahia.
IEC 1985
Adilton Cai N´Água o primeiro agachado com a bola na mãos, nos bons tempos que infernizava a vida dos laterais. Já em 1985, o Vitória vinha tentando conquistar o campeonato baiano e dar fim na nova serie de conquistas do Bahia, montou um timaço comandados por Ricky, Heider, Bigu, Lulinha e veterano Jesum, estava invicto durante todo o primeiro turno, em dois jogos seguidos na Fonte Nova, duas derrotas com dois protagonistas que ganharam fama em apenas um jogo, Adilton Cai N´Água, ponteiro direito do Itabuna fez chover na noite de 30/10/1985 usou e abusou da zaga do Vitória, fez seu nome em cima do veterano Jorge Valença e marcou os dois gols da vitória itabunense por 2 a 0 por causa deste jogo foi contratado pelo Bahia para a temporada de 1986, porém uma lesão o prejudicou e ele sumiu do mundo da bola. No dia 02/11/1985 foi a vez de Adailton ou ponteiro direito que atuava pelo Leônico, fazer seu jogo da vida na Fonte Nova, a vitória por 1 a 0 e uma atuação de gala, valeu a sua contratação pelo próprio Vitória onde jamais chegou a uma titularidade.

Fontes: Textos Galdino Silva - Fotos: Arquivo Papo de Bola - Pesquisa: RSSSF Brasil e Site do Leônico

quinta-feira, 23 de julho de 2020

FERNANDO RIELA É CONVOCADO PARA A SELEÇÃO DO CÉU

Fernando Riela na ponta esquerda 

Por Walmir Rosário*

Nesta quarta-feira (22) o esporte fica de luto e os desportistas perdem um ídolo: Fernando Riela, o maior ponta-esquerda do futebol de Itabuna, que há muito vinha driblando as complicações cardíacas. De repente, por uma leve distração ou pelos efeitos sobrenaturais do futebol, Fernando Riela não conseguiu chegar ao fim da linha esquerda com a bola nos pés e cruzar para o gol, como fazia no velho campo da Desportiva.

Perdeu a bola para o adversário – seu próprio coração – e tomou um gol de contra-ataque nesta madrugada. Infelizmente, perdeu o jogo, não o do seu Fluminense ou da gloriosa Seleção Amadora de Itabuna e no Itabuna Esporte Clube, mas da vida, para a tristeza de familiares, amigos, admiradores. É sempre assim, nem sempre conseguimos ganhar todas as partidas, às vezes empatamos, outras perdemos.

Fernando Riela
E Fernando Riela estava acostumado com os altos e baixos do futebol, onde muitas vezes dominava o jogo inteiro, estraçalhava o adversário, aplicava-lhe dribles infernais e não conseguia a chegar ao gol. Na vida também é assim. Passamos boa parte de nossa existência numa boa, ganhando todas, e lá pela frente nos alcança o cansaço, próprio dos anos vividos. Bem ou mal vividos, tanto faz.

O que importa é completar o ciclo por cima, amparado pelo que fizemos de bom, o que deixaremos como exemplo para a sociedade que nos cerca. É o chamado legado, no caso de Fernando Riela, bem positivo. É certo que ninguém está livre de tomar uma bola “pelas costas” num cochilo qualquer, mas logo retomada com maestria e finalizada com um gol magistral.

Mas o tempo não perdoa. A cada minuto o árbitro da partida está de olho no relógio, preocupado com os 45 minutos do segundo tempo, impedindo qualquer avanço para a linha de fundo. Às vezes, até dá pra cruzar a bola, que nem sempre chega à cabeça do centroavante e ir ao fundo da rede e partirmos para comemorar mais um tento na nossa vida, o que equivale ao “por pouco não chegamos lá”.

Você deve lembrar com saudade, Fernando, de quando recebia a bola e partia para a linha lateral cercado de zagueiros, controlando a bola coladinha no pé esquerdo e passando – de passagem – por todos eles? Claro, como poderia esquecer essa jogada, que terminava com um lançamento para a pequena área e gol. Como esquecer a galera inteira do campo da Desportiva aclamando mais um gol! Impossível esquecer!

Quatro irmãos, quatro craques! Fernando, Carlos, Leto, Lua. Uma família boa de bola. Boa de bola é pouco, isso era para quem não gostava de futebol. Uma família de craques testada e aprovada por onde passaram. Em campo chegavam a ser adversários: Dois no Fluminense – Fernando e Carlos, no Flamengo – Carlos, e Lua, o mais novo, no Janízaros, cada qual com seu estilo e posição.

Se separados eram bons, imaginem juntos na invencível Seleção Amadora de Itabuna, que chegou ao octa campeonato. Uma emoção e tanto para os torcedores, imaginem para os outros tantos craques que atuavam juntos. Como ouvi algumas vezes de outro craque dessa época, o meu amigo Bel (Abelardo Moreira), era fácil jogar com tanta inteligência e ginga junto, tudo ficava mais fácil.

Mas Fernando Riela não foi somente um jogador de futebol, melhor, o jogador de futebol, ou como o definiu o também jogador Maurício Duarte, com passagens por grandes clubes brasileiros: Fernando Riela foi o Garrincha pela ponta-esquerda. Fora dos gramados, era um amigo leal, um pai de família exemplar, um empresário, um cidadão sempre disposto a participar dos eventos do bem.

Dos quatro, dois estão entre nós, Carlos e Lua. Leto, e agora Fernando já nos deixaram por terem sido escalados por Deus para a seleção do Céu, onde jogam ao lado de tantos colegas. Lembram de Tombinho, Santinho, Léo Briglia, Jonga Preto, Luiz Carlos, Humberto, Danielzão, Valdemir Chicão, Neném, Santinho, Humberto Cézar, Zequinha Carmo, Amilton e tantos outros, animados pela charanga de Moncorvo.

Fernando Riela jogou em Itabuna, mas pelo futebol que jogava poderia ter atuado no time que quisesse e somente não estreou no Vasco da Gama para atender a um pedido do seu pai, seu Astor, que não abria mão de não ver seu filho jogando naquele Fla-Flu grapiúna. Atendendo ao pedido paterno, deixou o Rio de Janeiro, viajou para Itabuna e jogo no clássico. Estraçalhou o Flamengo, embora tenha perdido o jogo no segundo tempo.

O tempo que não para, não perdoa quando é chegada a hora, como não parou agora.

https://walmirrosario.blogspot.com/2020/07/fernando-riela-e-convocado-para-selecao.html?spref=fb&fbclid=IwAR0tb2yKbpadMOPlxQOiKUdH9nZ6iEMrH9v9SNExiSTs6jsy2fo_D0-Sz2o

ITABUNA PERDE AOS 77 ANOS FERNANDO RIELA

Morre aos 77 anos o craque ponta esquerda da década de 60 Fernando Riela. Vítima de AVC, a uns 8 meses vinha debilitado, em repouso. Faleceu em 22/07/2020
Itabuna Esporte Clube década de 60
Nesta foto presença dos quatro Rielas:
+Leto Riela, Carlos Riela, Lua Riela e +Fernando Riela


quarta-feira, 22 de julho de 2020

O CRAQUE BORRACHUDO E A BRONCA DA MAMÃE

"No dia seguinte, ao chegarem à emissora para apresentarem a resenha esportiva, o jovem Borrachudo, destaque no jogo, esperava os radia...